O dia do contador de histórias (o Jornalista)

Hoje, 7 de abril, comemora-se o “Dia do Jornalista”, e ainda não se tem muito o que comemorar mundo afora, nem aqui.

A falta de reconhecimento da formação acadêmica, da qualidade dos profissionais, dos textos, da apuração, da ética, foi por água abaixo e substituídas pelo balcão de negócios faz tempo. A violência contra os que resistem também não nos anima em nada. Mas continuamos, em nossos meios ainda possíveis, a informar.

Informar às vezes transforma, forma, educa, influencia e até provoca mudanças. Se for feito de forma verdadeira de acordo com as crenças nas escolhas e no que se propaga, pode ser feito com ética.

Mas hoje tenho que homenagear dois caras que me influenciaram bastante na vida a arriscar por linhas tortas, e nas vontades e desígnio de Deus a sobreviver da palavra escrita (e do desenho também), o meu avô paterno, Ben-Hur Raposo*, que na minha infância me entupia de livros e gibis, em especial os do Mortadelo e Salaminho, que nos idos de 1975 eram distração garantida para os dias de chuva nas férias em Teresópolis (sim, já fui veranista aqui um dia) e com os causos do Monteiro Lobato, que só vim a descobrir mais tarde que as capas me interessavam tanto quanto as histórias e me levaram também ao design gráfico muito tempo depois.

*Ele também era escritor, advogado e Juiz. Aprendeu tudo estudando e lendo à luz de velas de noite após o trabalho. Pense duas vezes antes de reclamar de qualquer dificuldade.  

Já na juventude, na universidade, nos idos de 1984, convivi com vários jornalistas e escritores, tais como Carlos Eduardo Novaes e Affonso Romano de Santana, mas o “tio emprestado”, Dimas Pellegrin, estava mais próximo e com ele pude aprender mais intensamente a vida dentro de um grande jornal, o JB (sim, ele era um grande jornal, e de papel, naquela época). Com ele visitava as oficinas gráficas, falávamos de vários assuntos e ouvíamos música. Ele se preocupou, muito antes, com o visual para atrair crianças e trabalhadores à leitura e, nos anos 70’, criou o premiado Jornal Mural do JB que ajudou muita gente a entender as notícias de forma simples e com muitos gráficos. Hoje um dos setores mais importantes da mídia são as editorias de infográficos por sua velocidade na informação.

Com o Dimas também adquiri o hábito de colecionar jornais, sejam eles históricos, edições especiais, de outras cidades e países. Viraram fonte de pesquisa e uma boa forma de se “viajar” por outros olhares à la Marcel Proust como em sua obra Em Busca do Tempo Perdido.

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Como domingo é dia de arrumação aqui em casa e a patroa me deu uma missão difícil, a de selecionar e “enxugar” a coletânea que, já há alguns anos aumentou por conta dos amigos que também passaram a trazer de presente de suas viagens. O jeito foi digitalizar parte da coleção que já me ajudou muito no trabalho e na vida de contar histórias.

“A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos.”
Marcel Proust

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